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Ligações Químicas — Teoria dos Orbitais Moleculares


Além da Teoria de Lewis — OM vs. VSEPR

A teoria de Lewis e o modelo VSEPR descrevem geometria e ligação, mas falham para:

  • Propriedades magnéticas (O₂ paramagnético — Lewis prevê diamagnético)
  • Energias de ligação em moléculas poliatômicas
  • Compostos com número ímpar de elétrons (NO, NO₂)

A Teoria dos Orbitais Moleculares (TOM) combina funções de onda atômicas (LCAO) para gerar orbitais moleculares ligantes e antiligantes.


Teoria dos Orbitais Moleculares (TOM)

Orbitais Ligantes e Antiligantes

  • Ligante (σ, π): adição das funções de onda → reforço entre núcleos → energia menor que AOs
  • Antiligante (σ, π)**: subtração → nó entre núcleos → energia maior que AOs

Ordem de Ligação

onde = elétrons em OM ligantes, = elétrons em OM antiligantes.

Diagrama de OM para Moléculas Diatômicas (Z ≤ 7)

      σ*2p
      π*2p  π*2p
      ─────────────── (antiligantes)
      π2p   π2p
      σ2p
      ─────────────── (ligantes)
      σ*2s
      σ2s
MoléculaConfig. OMOrdemMagnético
H₂(σ1s)²1Diamagnético
He₂(σ1s)²(σ*1s)²0Não existe
O₂...(π2p)¹(π2p)¹2Paramagnético
N₂...(σ2p)²3Diamagnético
NO...(π*2p)¹2,5Paramagnético

IMPORTANT

O₂ ter dois elétrons desemparelhados nos π* é previsto pela TOM — explicação que a estrutura de Lewis não consegue dar. É uma das maiores vitórias experimentais da TOM.


Teoria da Ligação de Valência (TLV) — Hibridização

A TLV complementa com a visão localizada de ligações como sobreposição de AOs.

Geometria × Hibridização × Ângulo

HibridizaçãoGeometria eletrônicaÂnguloExemplo
spLinear180°BeCl₂, CO₂, HC≡CH
sp²Trigonal plana120°BF₃, C₂H₄, SO₃
sp³Tetraédrica109,5°CH₄, NH₃*, H₂O*
sp³dBipiramidal90°/120°PCl₅
sp³d²Octaédrica90°SF₆

*NH₃ e H₂O: geometria molecular diferente por pares livres (pirâmide e angular)

Influência dos Pares Livres (VSEPR)

Pares livres ocupam mais espaço angular que ligações:

  • 4 pares em CH₄: 109,5°
  • 3 ligações + 1 par em NH₃: 107°
  • 2 ligações + 2 pares em H₂O: 104,5°

Ligação Iônica — Energia de Rede

Ciclo de Born–Haber

Permite calcular a energia de rede (U) indiretamente via Lei de Hess:

Equação de Born–Landé

  • M: constante de Madelung (depende da geometria do cristal)
  • n: expoente de Born (dureza dos íons)
  • U aumenta com cargas maiores e raios menores → maior dureza do cristal

Forças Intermoleculares

ForçaOrigemEnergia (kJ/mol)
Íon-dipoloCarga × μ40–600
Dipolo-dipolo (Keesom)μ × μ5–25
Dipolo-induzido (Debye)μ × polarizabilidade2–10
London (dispersão)Flutuação quântica0,05–40
Ponte de HX–H···Y (X,Y = N,O,F)10–40

TIP

As forças de London crescem com tamanho e polarizabilidade da molécula, não com polaridade. Por isso I₂ (apolar, grande) é sólido a temperatura ambiente, enquanto F₂ (apolar, pequeno) é gás.


Ácido-Base de Lewis

Mais geral que Brønsted-Lowry:

  • Ácido de Lewis: aceita par de elétrons (BF₃, AlCl₃, Fe³⁺, carbocátion)
  • Base de Lewis: doa par de elétrons (NH₃, H₂O, haletos, alcenos)

Teoria HSAB (Pearson)

Ácidos e bases se classificam como duros (carga alta, baixa polarizabilidade) ou moles (carga baixa, alta polarizabilidade):

  • Duro–Duro: estabilizado por interação eletrostática (ex: F⁻ + Fe³⁺)
  • Mole–Mole: estabilizado por sobreposição de orbitais (ex: RS⁻ + Ag⁺)

IMPORTANT

HSAB é fundamental para prever regioseletividade em reações de ambidentate (ex: enolato atacando como C [mole] ou O [duro] dependendo do eletrófilo).